Workshop sobre Programa Teacch ensina para diversidade
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    Educação
    01/06/2017
    12:09
    Workshop sobre Programa Teacch ensina para diversidade
    Entender o mundo de pessoas com Transtorno do Espectro Autista permanece o maior desafio de familiares, profissionais e da sociedade

    Erechim sediou, nos dias 25 e 26 de maio, o Worshop sobre "Estruturas do Programa Teacch aplicado à pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo". Promovido pela Associação Pró-Autista Aquarela, por meio do Ministério da Cultura, com patrocínio do Grupo Vaccaro e apoio da URI e da Unimed Erechim, o evento reuniu, aproximadamente, 100 pessoas de diversas cidades do Rio Grande do Sul e Santa Catarina no Anfiteatro do Prédio 8 da URI Erechim.

    A presidente da Aquarela, Marilei da Rosa, agradeceu ao Grupo Vaccaro, que destinou o valor devido do Imposto de Renda a esta causa, oportunizando a realização do evento e permitindo atender, principalmente, a necessidade de conhecimento e informação em relação ao autismo, um dos motivos que levou a criação da entidade em 2009. Ao informar que Associação acolhe 36 autistas, sendo oito provenientes de municípios da região, que recebem atendimento cognitivo e terapêutico multidisciplinar, de forma assistencial, apoiando e orientando às famílias, visando ao seu desenvolvimento, autonomia e integração social, enfatizou que a demanda é grande e dá a dimensão do desafio.

    Presidente da Aquarela, Marilei da Rosa

    Com a experiência de quem trabalha com o Teacch autorizada pela Universidade da Carolina do Norte (EUA) desde a década de 90, a professora Maria Elisa Granchi Fonseca explicou que o programa, incorporado de um modelo americano que já está ajustado à realidade brasileira, é uma das formas de atendimento para pessoas com autismo, caracterizado na forma de sistematização de um serviço. “Ele não é só uma técnica, mas reúne procedimentos de ensino, agrupamento de profissionais e estratégias de trabalho. É uma espécie de moldura que agrega várias coisas e pessoas”, esclareceu. 

    Mesmo com a evolução dos conceitos de autismo e de inclusão, Maria Elisa afirma que ainda há muitos desafios a serem superados, entre eles o diagnóstico precoce e a intervenção baseada em evidências. “Precisamos entender que o autista aprende diferente, portanto, a escola tem que ser outra, o material tem que ser outro e o currículo adaptado, ou seja, precisamos preparar o mundo para nossos autistas e não o contrário, e esse caminho de entendimento passa, também, pelas mãos das associações como a Aquarela, que fazem um trabalho de conscientização, de atendimento, de tratamento e de diagnóstico visando transformar a vida dos autistas mais produtiva, independente e mais feliz”, comenta, ressaltando que entender para conviver melhor com as diferenças é o maior desafio de todos. “O ensino para diversidade é melhor que o ensino para a deficiência. Se pensarmos assim, ensinamos com mais qualidade”, assegurou. 

    Professora Maria Elisa Granchi Fonseca: o ensino para diversidade é melhor que o ensino para a deficiência

    A representante do Grupo Vaccaro, Camila Vaccaro, disse que a empresa escolheu a Aquarela porque acredita na ideia, conhece as necessidades da associação e sabem a importância desse apoio e atenção.

    A professora do Curso de Psicologia da URI Erechim, Jacqueline Enricone, observou que a Universidade é parceira da Aquarela há bastante tempo pelo interesse em discutir as temáticas que se referem à inclusão escolar e social. “O workshop ofereceu uma oportunidade de conhecimento do Programa Teacch, que tem sido referido na literatura como uma forma bem importante de favorecer o desenvolvimento e a aprendizagem das pessoas com TEA. Além das sugestões e orientações práticas para o trabalho, o curso apresentou importantes reflexões teóricas, que fundamentam a prática do Teacch e que precisam ser compreendidas para que o programa não se torne um modismo. Essa formação inicial deve continuar porque nunca estamos prontos, há sempre o que aprender e atualizar, todavia, programas, técnicas e métodos são importantes, mas nada funcionará bem se não pudermos compreender a singularidade do sujeito que está na nossa frente”, frisou.

    A iniciativa da Aquarela foi elogiada pelos participantes. Para a médica psiquiatra, Letícia Alpi Rossetti, esse tipo de evento promove a transmissão de conhecimento científico para um melhor tratamento e diagnóstico de pacientes e, também, aproxima terapeutas e pais, pesquisadores e acadêmicos criando uma interface fértil de conhecimentos e um ambiente empático. “O conteúdo foi explicitado de forma clara, com evidências científicas, trazendo aspectos práticos e totalmente aplicáveis no tratamento de pacientes com TEA. O desafio agora é capacitar equipes, tanto na iniciativa privada e associações, quanto nas políticas públicas de assistência à saúde. Além disso, a realização de um diagnóstico acertivo e precoce e finalmente a real aplicação das medidas inclusivas e de acessibilidade ao tratamento já previstas em lei”, acrescenta.

    A fonoaudióloga Anelize Montemezzo declarou que o curso trouxe à tona várias questões do aprendizado, ensino e socialização das pessoas com TEA, mostrando caminhos para organizar a vida delas a fim de se tornarem funcionais, conseguirem trabalhar e ser independentes dentro dos seus limites.A psicóloga Luciane Giaretta, que é mãe de autista, viu a iniciativa da Aquarela como uma forma de aproximar famílias e profissionais do conhecimento sobre o tema. “Incluir não é simplesmente colocar a criança com diferenças dentro da sala de aula porque a lei obriga, mas entender essas diferenças e ajustar para que essa criança possa ser funcional, independente, autônoma e capaz de fazer a vida dela. Mesmo meu filho sendo um asperger, com altas habilidades, preciso entender que o jeito dele compreender as situações é diferente. Olhar o autismo pelo autismo é olhar a doença. Olhar o autismo do ponto de vista das habilidades e não das limitações, é fortalecer as fortalezas, que é a proposta do Teacch”, avalia.

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